Meus rabiscos

..."Estava quente, dia típico de verão, desses que os cariocas já estão acostumados.
Taty estava de mal humor (típico de Taty), á espera de um ônibus que ela sabia que viria cheio. Estava sozinha, mas isso não era muito comum, afinal estava sempre rodeada de pessoas (não, não eram seus amigos, eram apenas pessoas da Central.
Passou a achar aquilo muito estranho, não existia ninguém ali além dela. Nunca havia visto esse lugar assim, vazio, nem nos finais de semana, que é quando se tem menos movimento.
O que será que estava acontecendo?
Será que o local foi evacuado por alguma emergência?
Será que apenas ela não sabia o ocorrido?
Taty pega o celular, olha as horas, o dia, abre, tenta ligar para sua mãe...
-Droga, sem sinal, ela pensa em voz alta.
Acha melhor sair dali, isso não é normal. Caminha, com pressa, sempre com pressa, na esperança de encontrar alguém. Ou seria melhor não encontrar ninguém?
Checa o celular novamente... Ainda sem sinal!
O que quer que tenha acontecido não é coisa boa. E é melhor não ficar ali pra descobrir, só quer chegar em casa.
Avista três pessoas ao longe, seriam homens, mulheres?
A dúvida vai aumentando a cada passo que dá, deve se aproximar? Sua curiosidade de saber o que está acontecendo vence qualquer sentimento de medo que possa vir a lhe prender. Pode estar sendo muito imprudente, pensa consigo mesma, mas aparentemente não há nada que possa perder já que todo o mundo desapareceu.
-Hey, esperem! ela grita para as três figuras desconhecidas ao longe.
Mas eles não esperam, continuam sua caminhada sem nem ao menos olhar para trás. Parece que estavam fugindo, pensa.
Como pode tanta coisa mudar em 1 dia que esteve fora da cidade. Resolve voltar a Niterói, já que provavelmente o Rio está em algum tipo de greve ou toque de recolher.
Mas toque de recolher ás 17h do horário de verão? Tem algo de muito estranho acontecendo. Será que está tudo bem com sua família? Quando chegar na república, ela liga de lá já que seu celular aparentemente morreu.
Caminhando em direção ás barcas, Taty percebe o que não havia notado antes, pixações antigas, outras novas, em muitas das paredes do centro da cidade, com desenhos estranhos, com símbolos desconhecidos, mas todos com uma coisa em comum, todos indicavam uma data. A DATA DE HOJE!
Nada faz sentido, e muitas coisas passam pela cabeça de Taty. Um golpe de estado? Rituais satânicos? Uma brincadeira de mal gosto!
Sim, não, talvez... Taty não consegue chegar a um consenso sobre suas dúvidas, mas está chegando ás barcas, em Niterói alguém saberá dizer a ela o que aconteceu. Espera, torce por isso!
- Alguém está brincando comigo? dessa vez, ela grita, enfurecida!
No local onde haviam muitas barcas, não resta nada além de uma praia, um deque sujo, tal como se houvessem demolido o que havia ali a algumas horas atrás. Ela tinha certeza que estava no local certo, estava cansada de ir e vir. Mas agora, ali, não restava nada além de entulho.
Pensa consigo mesma que seria quase impossível acabarem com tudo nas poucas horas que saiu dali, então a única explicação lógica era a que estava sonhando. E PRECISAVA ACORDAR!
- Devo estar muito cansada mesmo, babando ainda na barca (nota mental: tirar férias de tuuudo o mais breve possível), mas como faço pra me acordar?
Depois de inúmeras tentativas, entre beliscões e mordidas, finalmente se deu por vencida e assumiu que não era um sonho.
18:27 - O que fazer?
18:49 - O que fazer?
19:00 - Andar até em casa.
20:00 - Andando.
20:30 - Andando ainda. E anoitecendo.
21:00 - Noite. Na dúvida se continua andando de noite.
21:15 - Para. Escuta um barulho. Se esconde.